sábado, 11 de março de 2023

CENTENÁRIO DO 1º CAMPEONATO SERGIPANO CONQUISTADO PELO CLUB SPORTIVO SERGIPE


No ano de 1922, a Liga Desportiva Sergipana (LDS) organizou o IV Campeonato Sergipano de Futebol, o qual ficou conhecido como o Campeonato do Centenário, em razão das comemorações aos cem anos da independência do Brasil. Tratou-se do torneio mais competitivo até então com as inscrições de três novos clubes: S.C. Aracaju (Bairro Industrial), Esperança F.C. (Bairro Santo Antônio) e A.D. Brasil. Esses clubes se juntaram aos decanos Cotinguiba, Sergipe e Industrial que já participavam dos torneios organizados pela LDS.

Há de se lembrar que naquele tempo os jogos eram realizados no antigo Adolpho Rollemberg, inaugurado no ano de 1920, que ficava localizado entre as ruas Vila Cristina e Campos, nas proximidades do Teatro Atheneu. Tanto o Sergipe, quanto o Cotinguiba, eram proprietários desse antigo estádio.


Estádio Adolpho Rollemberg nos anos 1920.

terça-feira, 3 de janeiro de 2023

A PRIMEIRA VEZ DE PELÉ EM SERGIPE E A COROAÇÃO DO FUTEBOL PROFISSIONAL SERGIPANO

Por Davi Tenório

A década de 1960 é considerada a era de ouro do futebol brasileiro. Os torcedores de todo o país apreciavam um novo futebol repleto de notas artísticas desde que a geração de Pelé e Garrincha conquistaram as Copas de 1958 e 1962 encantando o mundo. O futebol de fato passou a ser uma obra de arte, algo que também passava a ser apresentado em terras sergipanas após um longo período de declínio do esporte. Uma das figuras determinantes para tal revolução do futebol em Sergipe fora Robério Garcia, jornalista e desportista, que assumiu a Federação Sergipana de Desportos (FSD). Dentre seus grandes feitos, destacam-se as novas fórmulas e incentivos envolvendo o Campeonato Sergipano e, sobretudo, a profissionalização do futebol no Estado. Vale lembrar que antes, no regime amador, os jogadores não recebiam remuneração dos clubes. Sendo assim, aqueles que se destacavam logo eram contratados por clubes dos estados vizinhos que já haviam se profissionalizado.

 

Da Esq. para a Dir.: Tomás Cabecinha de Ouro, criança com camisa do Santa Cruz de Estância, PELÉ e Luis Manoel.
Apesar da descrição na foto, a partida foi no antigo Estádio de Aracaju, já que o Batistão só foi construído no ano de 1969. 

sexta-feira, 18 de março de 2022

OS 60 ANOS DA CONQUISTA DA TAÇA DINHÔ MELO: MAIOR GLÓRIA DO FUTEBOL ARACAJUANO

Por Gustavo Tenório.

Em homenagem à enciclopédia e ao ídolo rubro Delmar Teles.

 

Neste 18 de março de 2022, celebra-se a conquista da estimada Taça Dinhô Melo. Entre os anos de 1940 e 1961, os clubes da capital sergipana se lançaram numa disputa pela taça. A tão almejada taça ficaria de forma definitiva na sede do time que conquistasse o torneio três vezes consecutivas ou cinco vezes alternadas. Seu destino se desenhava nas salas de troféus do Sergipe (1940, 1943, 1945 e 1955), Cotinguiba (1941, 1942, 1952 e 1957), Vasco (1944, 1948, 1953 e 1960) ou Confiança (1951, 1954, 1958 e 1959), cada um com quatro conquistas até o ano de 1960. Quis o destino, no entanto, que a decisão do ano de 1961 ocorresse apenas em 1962 e que a taça figurasse em definitivo na sala de troféus vermelha, à época, localizada na antiga sede do Club Sportivo Sergipe na Avenida Ivo do Prado.

A Taça Dinhô Melo na galeria de troféus do Memorial Nivaldo Barros do Club Sportivo Sergipe.

segunda-feira, 17 de janeiro de 2022

Entrevista com Massu - O Capitão do 1º título sergipano do C.S.Sergipe

Entrevista com Massu, capitão do Club Sportivo Sergipe e da Seleção Sergipana durante a década de 1920 e início da década de 1930 para o Correio de Aracaju, publicada no dia 24 de outubro de 1939.

Transcrição feita por Davi Tenório através da edição digitalizada encontrada no sítio eletrônico: Jornais de Sergipe: Correio de Aracaju (ufs.br)

 

Massu, “half” esquerdo da velha guarda do Sergipe relembra os áureos tempos do futebol Sergipano.

Não deixa de constituir um acontecimento interessante, relembrarem-se fatos vividos em épocas passadas, fazendo o nosso espírito sobrepairar retrospectivamente, trazendo-nos à mente em uma nota de tristeza e saudade, os velhos tempos que não mais voltam. No esporte, principalmente, essa curiosidade natural assume aspecto duplamente interessante pelas várias mutações do tempo.

Maximino Silva, ou “Massú”, como é conhecido, foi uma das maiores glórias do nosso futebol, sendo ainda hoje lembrado com simpatia, como um exemplo de disciplina, cavalheirismo e educação esportiva e social. Seria, pois, interessante entrevistar o antigo jogador que dedicou todo o seu ardor na defesa da gloriosa bandeira do “C.S.Sergipe”. Não pensem os leitores, por nos referir ao passado, que vamos encontrar um velhinho de cachimbo à boca, olhos lacrimejantes a carpir saudoso, recordando os áureos tempos que se passaram. Absolutamente! Massu conta atualmente com 34 anos de idade, em plena juventude, portanto, e desenvolvendo sua atividade com dinamismo no Posto de Lubrificação (ilegível). A nossa reportagem foi feliz encontrando em Massu a melhor boa vontade em atender-nos. Abordado, o antigo crack começou logo a desfiar o infindo rosário da sua brilhante, vitoriosa e exemplar carreira esportiva:

 



Detalhe para os uniformes dos jogadores na década de 1920, período em que Massu iniciou sua carreira. Infelizmente, não temos a relação dos nomes desses atletas. 

quarta-feira, 8 de dezembro de 2021

1991: A ARRANCADA PARA A GLÓRIA ETERNA

Talvez não haja algo que mais desperte o imaginário humano como as estrelas. É corriqueiro olharmos para os reluzentes objetos que a atiçam a nossa imaginação e, assim, tentamos decifrar seus mistérios e encantos. Tal como o sábio que estuda o movimento dos astros, ou a criança que vê acima do escudo os feitos eternizados de uma geração passada.

 

Foto: O lendário time colorado campeão sergipano de 1991. Revista Placar.

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

Entrevista com Antônio Matos, ex-presidente do Club Sportivo Sergipe na década de 1960

Hoje, dia 6 de dezembro de 2021, recebemos a triste notícia do falecimento do colorado apaixonado Antônio Matos. Além de torcedor, Antônio foi presidente do Club Sportivo Sergipe e exerceu outros cargos na diretoria executiva e no conselho deliberativo. Tivemos a honra de entrevistá-lo, com a ajuda de Antônio Filho que nos deu essa oportunidade de bater um rápido papo com o seu pai. Dentre os assuntos da conversa, destaca-se o início da construção do Estádio João Hora de Oliveira, que Antônio se orgulha de ter batido a pedra fundamental da construção, o título sergipano de 1964, os craques Elcy e Robertinho, assim como a destituição de Robério Garcia da Presidência da FSD após o Golpe de 1964. Confira a nossa conversa!

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

ALMANAQUE FALANDO PARA A NAÇÃO RUBRA

MANIFESTO DE ADESÃO DO ALMANAQUE DO GIPÃO À BANCADA RUBRA 

O Club Sportivo Sergipe é uma instituição centenária que sempre atuou como protagonista na história do esporte sergipano. Ao longo desses quase cento e doze anos, o Mais Querido atravessou momentos de glórias, de crises e de reinvenções sempre ao lado da sua torcida.

Estivemos sempre na vanguarda do esporte em nosso estado. Não apenas implementamos a cultura esportiva em nossa terra, como também a apresentamos ao país. Quando o esporte deixou de ser privilégio de poucos, abrimos as nossas portas para as mais diversas classes sociais. Com esse espírito conquistamos a maior quantidade de troféus, erguemos a nossa casa, vencemos grandes adversários, assim como alcançamos grandes marcas em nível regional e também nacional.

A Massa Rubra celebra a conquista do Sergipano de 1961. Na foto, o então presidente da FSD, Robério Garcia, grande responsável pela profissionalização do futebol sergipano e futuro presidente do Sergipe, entrega a taça de campeão para Zoroastro Rodrigues, lendário dirigente rubro desde os anos 30 que aglutinou velhas e novas forças para revitalizar o Club Sportivo Sergipe. (Colorização: Davi Tenório/Almanaque do Gipão)


Ocorre que nem sempre nos mantivemos em estabilidade. Não há longeva instituição que não atravesse percalços. Em 1958, membros do clube chegaram a propor o nosso “fechamento”. Coube a Zoroastro Rodrigues a tarefa de aumentar a quantidade de sócios, de agregar novas forças e de oxigenar o Vermelhinho[1][2]. Em pouco tempo, o Sergipe voltou a formar grandes equipes, a participar das principais decisões da nossa terra (como a implementação do profissionalismo no futebol sergipano), a conquistar títulos e a proporcionar grandes festas nas gerais e nas arquibancadas.

Nos últimos anos, a nossa torcida assistiu várias trocas de comandos em nosso clube. Dirigentes que assumiam e por turbulências internas renunciavam. Consequentemente, perdemos precioso tempo para construir novas estruturas que pudessem ser complementadas por novas gestões. A cada ano retornávamos à estaca zero. Talvez tenha faltado um ambiente favorável a debates, a construção de novos projetos e a profissionalização do nosso clube, conforme exigem os tempos atuais.

Não estamos à procura de um salvador da pátria. É verdade que grandes lideranças foram fundamentais na história do clube e seus legados são até hoje visíveis. A História Rubra sempre reconhecerá os abnegados rubros que contribuíram para o clube. Além disso, sempre será bem-vindo todo apaixonado pelo Mais Querido que possa elevar a nossa instituição.

Acontece que o futebol de hoje exige novas posturas. É necessário que haja um trabalho profissional e transparente. Já diria um grande dirigente rubro: “o futebol é um brinquedo caro”. Por isso, é necessário que o clube possa andar com suas próprias pernas. Nesse sentido, saudamos a atual gestão, a qual finalmente completa um ciclo apresentando um sério trabalho administrativo com bons resultados dentro e fora de campo, mas que ainda é incipiente e que precisa ser sempre aprimorado e expandido em várias frentes.

Aproveitando esse ambiente promissor, decidimos participar da formação do Coletivo Bancada Rubra com o intuito de trabalharmos pela “reinvenção” do nosso Sergipe a partir da sua identidade: um clube de vanguarda composto pela sua imensa torcida. Torcida essa que não só empurra o time nas arquibancadas, mas que abraça o clube e não se contenta com pouco. É uma torcida que entende a necessidade de transparência e de prestações de contas, o que gera a atração de investimentos e a proteção de seu patrimônio. E, acima de tudo, é uma torcida que não aceita ser passiva, pois é ela a fonte das nossas glórias e das nossas superações.

Desse modo, o Almanaque do Gipão, através de seus administradores Davi Tenório e Gustavo Tenório, adere a esse coletivo democrático e popular com a intenção de colaborar com o desenvolvimento e a expansão do Club Sportivo Sergipe.

Mãos que ajudaram a recuperar as arquibancadas do João Hora. 




[1] VIANA FILHO, F. A . Crônica Esportiva. Aracaju: Universidade Tiradentes, 2014. p. 24.

[2] A Gazeta de Sergipe, edição de 09.08.1959.

  E o Sergipe, heim!? Por Gustavo Tenório Num sábado qualquer, em um povoado de Japoatã, durante uma confraternização familiar, me deparei...