quarta-feira, 6 de março de 2019

Revista Gigante Rubro - 1977

Saudações rubras! O Almanaque do Gipão finalmente irá compartilhar com a grande massa colorada uma incrível relíquia do torcedor Luiz Alves, de 34 anos e natural de Aracaju. Na verdade, são sete relíquias incríveis que ele herdou de seu saudoso avô, o Senhor Francisco Alves Rocha, um grande torcedor apaixonado pelo nosso Gipão! Trata-se dos fascículos do "carnet" (como era a grafia da época) do Gigante Rubro, todos do ano de 1977. 


Exemplares das revistas Gigante Rubro do acervo de Luiz Alvez, herança do seu avô Senhor Francisco Alves Rocha

domingo, 10 de fevereiro de 2019

Clássicos que deixaram saudades: o Sergipe frente aos antigos clubes de Aracaju (Parte II: Sergipe x Vasco).


Sergipe x Vasco E.C.: o esquecido “clássico” de Aracaju e um dirigente histórico em comum

Por Davi Tenório

            Quem passa pela avenida Antônio Cabral, próxima ao Mercado Municipal de Aracaju, pouco reconhece a existência de um antigo clube da cidade, o qual marcou época nos bailes de carnaval, mais populares que os do Iate e do Cotinguiba, nas competições de basquete, vôlei e, principalmente, futebol. Trata-se do saudoso Vasco Esporte Clube, fundado no dia 15 de agosto de 1931 por comerciários da cidade, em meio a onda de surgimento de novos clubes na capital.
Sergipe x Vasco E.C. no ano de 1979.
            O cruzmaltino aracajuano estreou no principal campeonato de futebol do estado no ano de 1932, justamente em uma época em que o futebol sergipano vivia a hegemonia do Club Sportivo Sergipe, o qual estava em processo de conquistar seu primeiro hexacampeonato, além de já obter a preferência os amantes do futebol, ostentando, assim, o apelido de “O Mais Querido” (Jornal A Républica, edição 30.11.1932). Já no início de suas atividades, o novato clube já demonstrava a ambição de figurar entre os grandes do estado, ao ser vice-campeão nos anos de 1932 e 1933, em finais disputadas justamente com o Sergipe. No entanto, a transformação de um clube pequeno para uma das forças do futebol sergipano apenas ocorreu com o surgimento de um dos maiores desportistas sergipanos na presidência do Vasco no ano de 1943: Robério Garcia, que havia revolucionado o futebol da cidade de Laranjeiras (VIANA FILHO, Francisco. Crônica Esportiva. p. 40).

sábado, 12 de janeiro de 2019

Clássicos que deixaram saudades: o Sergipe frente aos antigos clubes de Aracaju (Parte I: Clássico Vovô).

O Almanaque do Gipão inicia uma série sobre os antigos duelos envolvendo o Sergipe e os clubes de Aracaju que há muito tempo não atuam nos gramados.

Por Davi Tenório

“Esse jogo não é um a um
(se o meu clube perder é zum-zum-zum)”
Edgar Ferreira

O futebol, assim como toda arte, apresenta variados personagens e diversas manifestações. Dentro deste ambiente plural, é comum que haja figuras protagonistas que despertem e disputem as paixões de quem se envolve com o espetáculo. Quando a disputa ganha espaço cativo no imaginário do torcedor e na história do esporte passamos a denominá-la de clássico. A paixão envolvida nesses duelos é bem visível nos versos de Edgar Ferreira, eternizada na voz de Jackson do Pandeiro, o qual demonstra com perfeição a carga de um clássico futebolístico.
Há clássicos que mantém a sua regular periodicidade, atravessando gerações e pulsando o sangue dos torcedores. Por outro lado, há clássicos que, por diversos motivos, não acompanham as metamorfoses oriundas do decurso do tempo, mas nem por isso perdem seu “status”. Um clássico nunca morre. Sendo assim, aproveitamos para relembrar a história dos antigos clássicos envolvendo o C.S.Sergipe e as tradicionais agremiações aracajuanas que há muito não desfilam pelos gramados sergipanos.


As primeiras equipes de futebol do Sergipe e do Cotinguiba.


O Clássico Vovô

Se algum aracajuano pudesse retornar ao passado, mais precisamente no início do século XX, provavelmente poderia se surpreender com uma multidão aglomerada na Rua da Frente assistindo atenciosamente as regatas disputadas no principal rio que banha esta cidade. Também poderia ouvir dos desportistas e dos espectadores discordâncias quanto ao seu verdadeiro nome. Talvez mal saberia este viajante do tempo que estaria diante do mais antigo clássico do esporte sergipano, o qual teve como primeiro embate a discordância em relação ao nome do primeiro clube organizado em base sólidas no nosso estado, o Cotinguiba Sport Club, fundado no dia 10 de outubro de 1909 no suntuoso salão do Hotel Brasil, com as cores azul e branco (VIANA FILHO, Francisco. Crônica Esportiva. p. 195). Acontece que um grupo de fundadores não se conformaram com o nome dado à agremiação, e assim resolveram fundar outro clube batizado de Club Sportivo Sergipe, no dia 17 de outubro de 1909, na sede da Associação Comercial, com as cores vermelho e  branco.
Há aqueles que rechaçam essa versão da origem do mais antigo clássico sergipano, preferem adotar a versão “mais lógica”, a qual se resume na necessidade de outro clube desportivo para disputar com o “Decano da Fundição”. Mas, se a própria história da fundação da antiga Roma Clássica é compatível com a narrativa lúdica das crianças amamentadas por uma loba, porque nós sergipanos não poderíamos ter a nossa própria versão lendária?

quarta-feira, 17 de outubro de 2018

HÁ 15 ANOS O SERGIPE CONQUISTAVA O CAMPEONATO SERGIPANO DE 2003, O 32º ESTADUAL DA SUA RICA GALERIA DE TROFÉUS!


O Club Sportivo Sergipe completa 109 anos nesta quarta-feira, dia 17 de outubro de 2018, data especial para o futebol sergipano e para toda a nação colorado. Aproveitamos para relembrar uma das conquistas da sua rica galeria de troféus: o título de campeão sergipano de 2003, a 32ª conquista estadual.

Por Davi Tenório


Havia muitas expectativas dos clubes sergipanos em torno do Campeonato Sergipano de 2003, enquanto o rival do Bairro Industrial buscava o seu inédito tricampeonato, o Sergipe se reforçava para retomar o protagonismo exercido nos anos 1990, em que o clube conquistou 8 títulos estaduais, com o retorno de nomes consagrados na história do clube como o artilheiro Pedro Costa e o técnico Maurício Simões.

sexta-feira, 31 de agosto de 2018

Sergipe x Cotinguiba e o surgimento do Clássico Vovô

Time do Sergipe que enfrentou o Cotinguiba no primeiro Clássico Vovô em 1916. (Créditos: Globoesporte)
                                                                                                     Por Milton Filho

 Fundados como co-irmãos em outubro de 1909, Sergipe e Cotinguiba nutriram desde muito cedo uma rivalidade no desporto sergipano. Muito antes do Confiança, era o Tubarão da Praia que tinha o posto de principal adversário do Gipão nos certames locais. Fato é que nem sempre o mais velhos saem por cima. Fundado em 10 de outubro daquele ano, o então Cotinguiba Sport Club é até hoje a agremiação mais velha do esporte local que ainda está em funcionamento. O Club Sportivo Sergipe viria ao mundo cerca de uma semana depois, já no dia 17 de outubro. Ambos os clubes que foram fundados para a prática do remo, e que levavam o nome dos importantes rios sergipanos, viriam a rivalizar anos depois no futebol. Assim projetando o esporte para os aracajuanos.

 Mas nem tudo foram flores. A implantação do esporte bretão só se deu nos clubes por causa do Almirante Aminthas Jorge. O esporte bretão não era bem quisto pelos dirigentes por ser visto como algo para desocupados. Ainda assim, em 1916, o almirante conseguiu numa reunião convencer o presidente do Cotinguiba, Godofredo Menezes, e do Sergipe, Euclides Porto a estabelecerem o futebol nos quadros de suas agremiações. E assim foi feito. Porém, a prática esporte ficava restrito aos sócios dos clubes. No início, ambas as agremiações formaram um combinado que derrotou o Sergipe F.C. de Propriá por 4 a 0, no recente campo da Praça Pinheiro de Machado, sendo esta a primeira partida organizada no estado seguindo as normas legais do esporte.

 Acontece que um troféu seria dado ao vencedor do confronto. E como venceu a 'Seleção de Aracaju', criou-se a dúvida de qual time ficaria com a taça. Sendo assim, Sergipe e Cotinguiba tiveram de decidir no campo a qual time o Troféu Ao Preço Fixo iria pertencer. Desta forma, no domingo de 10 de dezembro de 1916, Sergipe e Cotinguiba disputaram o primeiro Clássico Vovô. Na ocasião, o Colorado foi ao campo de jogo com a seguinte formação: Alonso; Cravo e Oliveira; Constâncio Vieira, Lauro e Rolinha; Josué, Vitor, Moraes, Roque e Mendes. Já o Cotinguiba entrou com: Alexandre; Alberto e Travassos; Bessa, Godofredo e Eduardo; Clóvis, Nelson, Chaves, Valdemar e Paulo.

 Na mesma Praça Pinheiro de Machado de outrora, sob a arbitragem de Edgard Magalhães, o Gipão estreou o marcador do clássico com gol de Roque. Sofreu a adversidade da virada, com dois gols de Godofredo, que marcara de pênalti e falta - bola parada não era o forte do vermelhinho -. O mesmo Roque não ficou por menos e estufou as redes mais uma vez, agora marcando tento de cabeça. Já com cerca de quinze minutos para o término do confronto, Clóvis marca contra a própria meta e decreta o placar final. Sergipe 3 x 2 Cotinguiba.

 Assim como venceu o primeiro Clássico Náutico diante do Cotinguiba nas regatas em 1910, o Sergipe vencia a partida de estreia do clássico no futebol, selando mais uma vitória diante do arquirrival. Contribuindo assim para os versos do seu futuro hino: "O Sergipe no esporte na história/Nas pelejas da terra e do mar".

segunda-feira, 30 de julho de 2018

Em uma final repleta de cenas lamentáveis, com direito a presidente mordido por cão policial, o Sergipe conquistou o 2º Turno do Sergipano de 2000.



            No dia 30 de julho de 2000, Sergipe e Lagartense se enfrentaram em busca da Taça Estado de Sergipe, equivalente ao 2º turno do estadual daquele ano. As duas equipes haviam empatado por 0 a 0 na primeira partida ocorrida na cidade de Lagarto. O vencedor não só garantiria uma vaga na grande decisão do Campeonato Sergipano, como também levaria vantagem na finalíssima.

Aílton marcou o polêmico gol para o Sergipe (Foto: Edinah Mary)
Por Davi Tenório


           
A diretoria rubra havia instigado a massa colorada com ingressos com preços reduzidos, com apenas R$2,00 o torcedor rubro garantia seu lugar no João Hora, algo inimaginável nos dias atuais em que o futebol se tornou uma “brincadeira cara”. Além disso, a torcida do Lagartense prometia invadir o Batistão com onze ônibus saindo do interior rumo ao Mundão do Siqueira. Tudo indicava um grande espetáculo para aquela tarde de domingo.

sábado, 14 de julho de 2018

A MARCA RUBRA


Foto: José Maria Marques


Por Gustavo Tenório


É curioso como ao me deparar com um cidadão vestindo uma camisa do Sergipe na rua me faz parar para cumprimenta-lo ou, em dias mais corridos e cheios de pressa, lançar-lhe uma enfática e amistosa saudação colorada. Percebo, também, que sou da mesma forma saudado quando estou trajado com o manto rubro, seja na rua ou em qualquer outro lugar da cidade. Mais curiosa ainda é a carga identitária e de pertencimento que essas (aparentemente) simples interações cotidianas representam.
Numa realidade em que há um frio afastamento entre os cidadãos – você conhece todos os seus vizinhos de condomínio ou os vizinhos “emurados” da sua rua? –, uma camisa do Gipão acaba aproximando desconhecidos da forma mais vivaz. O tempo atual insiste em nos afastar cada vez mais das ruas e do sentimento comunitário. Chega-se ao ponto de não se ouvir um “Bom dia!”, um “Boa tarde!” ou um “Boa noite!” na maioria das calçadas da cidade. Às vezes até acabamos num triste e curto monólogo urbano – é até melancólico um “Bom dia!” sem retorno.
Uma camisa do Gipão faz abrir sorrisos, apertar as mãos e dar tapas cordiais em ombros desconhecidos. “E o Gipão?”, geralmente é assim que se inicia o contato. Se for complicado atravessar a rua ou se a pressa se fizer enfática, um brado de “BORA, GIPÃO!” ou de “GIPÃO CAMPEÃO” chegará aos nossos ouvidos driblando carros e transeuntes. E buzinas! Buzinas animadas e alegremente ritmadas. O indivíduo rubro tem um quê festivo, de saudações calorosas. Esses são momentos que tornam a cidade novamente nossa, mais íntima. Fazemo-nos pertencidos, enfim, a um lugar comum, entre indivíduos com uma história e um sentimento também comuns. Seria uma espécie de sociologia rubra? Uma psicologia social rubra? Uma cultura rubra? Será que dá para explicar? É tudo isso e mais um pouco.
Ora, o futebol é um incontestável fator social de reconhecimento e auto-reconhecimento entre os cidadãos. Ouso dizer que o Sergipe consegue intensificar essa relação. Tem coisa mais extasiante que encontrar alguém vestido com uma camisa do Gipão em outro estado ou em outro país? Ou ver bandeiras rubras estendidas nos estádios da copa ou de outras competições internacionais? É como se estivéssemos lá também. Aliás, é como se o mundo fosse nosso. E de fato o é.

  E o Sergipe, heim!? Por Gustavo Tenório Num sábado qualquer, em um povoado de Japoatã, durante uma confraternização familiar, me deparei...